Sábado, 30 de Agosto de 2014

les chevaux de dieu (2012)

 

 

se é verdade que não é uma novidade o facto de muitos dos extremistas religiosos, em países em vias de desenvolvimento, emergirem de bairros onde se vive em condições subhumanas e onde as educações são duras e plenas de obstáculos, este filme é uma elegante descrição desse tipo de história.

 

o filme, realizado por nabil ayouch, e com o nome Horses of God na versão inglesa, conta a história, desde a infância ao crescimento, de quatro jovens amigos, residentes num dos mais duros bairros de barracas nos subúrbios de casablanca. sabendo à partida o final do filme, uma vez que os quatro jovens fizeram parte do esquadrão de bombistas suicidas nos mortíferos atentados de casablanca em 2003, nem por isso é menos interessante registar todos os passos, todas as feridas mal curadas que levam a um desfecho tão marcante.

 

achei especialmente impressionante que, apesar do duro que é crescer nestes lugares, sem qualquer esperança em relação ao futuro, a transformação da vida deste jovens de uma vida banal para o fanatismo religioso se tenha revelado um processo relativamente rápido, muito mais rápido do que imaginaria.

 

em resumo, um filme muito bem feito, sobre um assunto que nos devia preocupar a todos.


publicado por menospipocas às 16:51
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Terça-feira, 21 de Janeiro de 2014

her (2013)

 

"I am actually dating my operative system"
"Are you falling in love with her?"
"I guess... does that make me a freak?"
"No, I think that's... no... I think anybody who falls in love is a freak"

 

creio que por mais que filmes como American Hustle ou Wolf of Wall Street (falarei deles em breve) sejam bons filmes, sobretudo na componente de entretenimento, se saltarmos uma ou décadas para a frente, Her, de spike jonze, não vai ser o filme mais premiado de 2013, mas vai ser, sem dúvida, um dos filmes da rara mão cheia que verdadeiramente fica. não é daqueles filmes a que se vai recorrer para preencher programação ao domingo à tarde, mas aposto que vai criar o seu culto, na onda dos Donnie Darkos ou Eternal Sunshine of the Spotless Minds desta vida. Her é um filme delicioso da concepção (brilhante argumento de spike jonze, mesmo sem a "ajuda" das duas mãos do não menos brilhante charlie kaufman) à execução (é notável como é possível que joaquin phoenix não esteja nomeado para o oscar de melhor actor), apresentando uma distopia que tem tanto de deliciosa como de assustadora, num futuro que não será tão distante como se possa pensar. james barrat, no seu livro "Our Final Invention: Artificial Intelligence and the End of the Human Era" prevê que possa faltar apenas cerca de uma década para que a inteligência artifical ultrapasse a inteligência humana. tudo isto faz de Her uma metáfora melancólica menos metafórica do que possa parecer. scarlett johansson tem um dos seus melhores papéis até hoje (sem aparecer um segundo no filme). em jeito de nota de rodapé, achei muito engraçado o paralelismo feito pelo sam van hallgren entre alguns pontos deste filme e Lost In Translation, o que mostra que o amor entre as pessoas tem tanto de partilha física como intelectual (a ironia da "coisa" é isso ter bastante a ver com este filme). em resumo, Her é um filme brilhante, digno de ser visto várias vezes, e se não saírem da sala de cinema a perguntar "quem somos, de onde vimos e para onde vamos?" talvez seja boa altura para repensar os vossos níveis de introspecção, ou, como se diz em linguagem moderna, actualizar o sistema operativo.


publicado por menospipocas às 16:16
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Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2014

inside llewyn davis (2013)

 

 

parece que é altura de começar a falar de alguns candidatos aos óscares, antes que os mais falados (nem por isso os mais acertados) prémios cheguem e se precipitem à nossa frente sem avisar. o meu principal disclaimer é que sou um fanático de qualquer coisa saída da imaginação e captada pelas lentes dos irmãos coen, o que me cria uma séria dificuldade em analisar com a devida objectividade qualquer pipoca que salte do seu maravilhoso balde. Inside Llewyn Davis é uma história baseada num período da vida do cantor dave van ronk, e da sua batalha para triunfar na cena musical da village dos anos 60. o humor negro dos coen está presente como sempre, ainda que seja curioso que neste filme pontifique bem mais a metade do "negro" que a do "humor", não porque não se registem as habituais tiradas geniais de ironia e/ou sarcasmo, mas sim porque o próprio ambiente do filme é propício a um certo cobertor de nuvens sobre as lutas do crescimento artístico. oscar isaac salta para a ribalta com um excelente papel e justin timberlake e carey mulligan dão luz ao cartaz sem comprometer. em resumo, tem aquilo a que fomos habituados, diálogos, fotografia, banda sonora, tudo no ponto. em termos de cinema os coen são aquela pessoa que nos vem aconchegar os lençóis quando estamos no limbo entre o dia e o sonho.

 

p.s.: é difícil agradar a gregos e a troianos, mas este filme não ter nomeações para os óscares de melhor filme (em época de nove ou dez nomeados) nem para melhor argumento adaptado, diz bem da "massa" de que as nomeações são feitas.


publicado por menospipocas às 19:42
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Terça-feira, 17 de Dezembro de 2013

tabu (2012)




sou um amante confesso do cinema português dos anos 30/40. a qualidade do humor e dos trocadilhos, as voltas do guião, a qualidade de alguns dos actores e actrizes eram tudo pontos a favor de vários dos filmes e pareciam augurar o início de uma época áurea do cinema do nosso país. infelizmente o que se seguiu foi algo de bem diferente, e raramente me consegui encantar com qualquer produção portuguesa pre ou pos-revolução. admito que a culpa seja minha, claro, nunca consegui, por exemplo, entrar a sério no cinema de manoel de oliveira, que ainda conto tentar redescobrir. alguns dos filmes até tinham base em bons argumentos, o que não admira, dada a qualidade da escrita em portugal, mas do ponto de vista técnico chegavam a ser intragáveis. má imagem, péssimo som e, sobretudo, o desaparecimento da espontaneidade e naturalidade dos filmes antigos. Tabu apanhou-me completamente desprevenido. quase desprevenido, vá. na semana anterior a ver o filme, o director da cinemateca de cleveland publicitou-o entusiasticamente, dizendo que era um dos filmes favoritos do ano de martin scorsese, que tinha ficado encantado com o facto de metade do filme ser filmado em 35mm e a outra metade em 16mm. esse é um, entre vários aspectos, em que este filme se revela como uma ode ao cinema. pelo meio, se se esforçarem por não se distraírem com a beleza técnica do filme, há um argumento muito bem construído, uma história de amor cheia de portugalidade e excelentes interpretações de vários actores, com destaque, a meu ver, para os papéis de laura soveral, ana moreira e carloto cotta. além de ter adorado o filme e de ter entrado, sem dúvida, para a minha lista de favoritos de 2013 (apesar de ter sido filmado em 2012) foi com demolidor orgulho que vi toda a plateia da cinemateca de cleveland levantar-se e aplaudir de pé o filme. somos tão badalados, hoje em dia, mundo fora, pelos piores motivos que traz um calor especial ver uma tão sentida homenagem a um excelente exemplo da nossa expressão artística.

publicado por menospipocas às 19:02
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Sábado, 1 de Junho de 2013

killer joe (2011)



como referido no post anterior (apesar de tal se ter passado há meses) matthew mcconaughey parece ter aproveitado a sua extrema mudança de imagem corporal (feita de propósito para as gravações de Dallas Buyers Club) para aceitar de uma vez todos os papéis de psicopata/fortemente perturbado que hollywood tinha para oferecer. Killer Joe não é um filme fácil de categorizar. o argumento de tracy leets está muito bem conseguido (puxando dos seus galões de vencedor de pulitzer), a realização de william friedkin é imaculada e o elenco, pequeno mas muito bom, põe em cena uma história cheia de twists físicos e psicológicos. o argumento é tão centrado nos diálogos que este filme poderia muito facilmente ser uma peça de teatro. não tendo sido essa a opção, é-nos oferecido um filme digno de ser visto e com cheiro a irmãos coen em cada uma das esquinas por onde vira.

publicado por menospipocas às 21:01
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Sábado, 16 de Fevereiro de 2013

the paperboy (2012)




há filmes estranhos que funcionam por esse exacto motivo. há filmes estranhos que se perdem no facto de serem demasiado estranhos. The Paperboy entra mais nesta última categoria. com alguns temas recorrentes de filmes passados de lee daniels, este filme conta a história de um jornalista, interpretado por matthew mcconaughey (que tirou o ano de 2012 para entrar em todos os papéis mais estranhos à face da terra, incluindo este, o de Killer Joe e as filmagens de Dallas Buyers Club, a estrear em 2013), que regressa à sua terra natal na florida para investigar e escrever uma história sobre um condenado à morte (john cusack). desta premissa parte-se para um enredo extremamente pantanoso (no sentido literal e não-literal do termo), em que destaco a fabulosa prestação de nicole kidman (muito acima do habitual e de alguns papéis cliché do passado) e de john cusack, bem como a fotografia do filme. zac efron e matthew mcconaughey apenas cumprem e o filme perde-se um pouco nos demasiados nós em que se tenta enrolar, ganhando alguns tons de pretensiosidade na busca dessa complexidade.

publicado por menospipocas às 15:55
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2013

zero dark thirty (2012)




a polémica em torno de algumas das cenas de Zero Dark Thirty é um tema absolutamente válido, mas que tem pouco a ver com a obra cinematográfica em si, e daí não vou entrar nessa discussão neste espaço. como filme, Zero Dark Thirty roça a perfeição no seu género. a dupla kathryn bigelow / mark boal volta, depois de Hurt Locker, a mostrar uma vez mais o seu brilhantismo na tarefa de pegar em factos históricos recentes e pô-los em cena como se de um semi-documentário se tratasse. nessa fronteira entre realidade e ficção com largas doses de realidade é notável o ritmo do filme, a qualidade do argumento e a densidade das personagens, sobretudo da principal, maya, interpretada por uma jessica chastain sobre a qual já há pouco mais a dizer, uma vez que enche o ecrã de uma forma ímpar e depois de um 2012 em que participou em vários filmes de qualidade irrepreensível, entra 2013 com esta prestação digna de globos e óscares, quer o último chegue quer não. prémios à parte, Zero Dark Thirty é um filme que merece ser visto, e sobretudo pensado.

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Domingo, 13 de Janeiro de 2013

liberal arts (2012)





custa-me sempre ver a crítica cair em cima de filmes leves que o são proposidatamente leves, pelo menos na capa com que aparecem. Liberal Arts é isso mesmo, um filme leve, mas de uma densidade honesta, com um enredo pseudo-romântico que pretende ir além disso e transmitir uma mensagem um pouco mais filosófica sobre a importância da educação (pessoal e da sociedade) e das idiossincrasias do amor. é esse o objectivo de josh radnor (que escreve o guião, realiza e interpreta o papel masculino principal) e, quanto a mim, consegue perfeitamente cumprir essa proposta. sendo muito difícil para qualquer fiel seguidor de How I Met Your Mother separar josh radnor da sua personagem ted mosby, é de louvar o esforço do actor para não cair numa cópia exacta da sua personagem nessa série televisiva, o que até seria fácil, dado o carácter romântico da história. registo ainda elizabeth olsen, que, depois da fantástica prestação em Martha Marcy May Marlene, prova aqui uma vez mais, através da sua versatilidade, o quão promissor é o seu futuro em hollywood.

publicado por menospipocas às 10:00
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2013

vertigo (1958)

 

 

 

 

 

 

a recente eleição de Vertigo como o melhor filme de sempre (na já bastante discutida votação a cada dez anos da revista britânica Sight and Sound), se mais não for, teve o condão de trazer este fantástico filme de alfred hitchcock  de novo à ribalta e até à exibição. a sua última edição, numa versão digital, com notável recuperação e afinação de som e imagem da película original, está actualmente em exibição em várias salas de cinema mundo fora. O que é sempre de aplaudir, uma vez que, por mais alta que seja a definição dos modernos televisores, não há melhor forma de ver e julgar um filme do que vê-lo no grande ecrã. embora, para os meus gostos, filmes como Psycho ou Rear Window sejam até obras melhores do mestre alfred, Vertigo não deixa de ser, de facto, um dos melhores filmes de sempre, pelo argumento, pela técnica inovadora utilizada, e pela mágica expressão do suspense, usada por um dos seus melhores domadores. uma história aparentemente simples nasce na reforma precoce de um detective policial (interpretado por james stewart) motivado por um grave problema de vertigem. segue-se o pedido de um amigo do detective para que este lhe faça o favor de seguir a sua mulher (kim novak), aparentemente afectada por problemas psiquiátricos, tudo apontando para algo do foro esquizofrénico, com influência da sua história pessoal e familiar. este é o ponto de partida para um filme que testa a inteligência, a atenção, e sobretudo a criatividade e perspicácia do espectador, guardando para o final o habitual twist hitchcockiano que torna todos os seus filmes deliciosos. este é um daqueles filmes que todos deviam ver anter de morrer. pelo menos duas vezes. 


publicado por menospipocas às 19:00
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formas alternativas de ver cinema

 

breve pausa nas minhas verborreias sobre filmes individuais para vos publicitar este artigo que escrevi para o Filmspot sobre as novas formas de ver cinema, tendo em conta a oferta existente no panorama audio-visual norte-americano.

 

o artigo pode ser sido lido aqui.

 

recomendo-vos o Filmspot como uma excelente referência, sendo um dos melhores sites portugueses para se manterem actualizados sobre as novidades da indústria cinematográfica e temas associados.


publicado por menospipocas às 12:00
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