Sábado, 8 de Dezembro de 2012

blue velvet (1986)


" I had a dream. In fact, it was on the night I met you. In the dream, there was our world, and the world was dark because there weren't any robins and the robins represented love. And for the longest time, there was this darkness. And all of a sudden, thousands of robins were set free and they flew down and brought this blinding light of love. And it seemed that love would make any difference, and it did. So, I guess it means that there is trouble until the robins come. "

os filmes de david lynch têm em comum muitas coisas, mas, para mim, talvez a principal seja que são para ser degustados num espaço físico e mental muito apropriados. imaginem por exemplo um excelente queijo bleu d'auvergne. podem despachá-lo para dentro de duas fatias de panrico e comer enquanto estão a ler o jornal (se ainda forem dessa espécie rara). mas não é a mesma coisa que comprar um bom pão. que esperar pela temperatura certa para que a consistência do queijo esteja no semi-sólido ideal. que acompanhar com um vinho que lhe dê as mãos entrelaçando-as. têm razão, este blog não é de culinária. mas serve a metáfora para tentar que empatizem com a realidade de que os filmes do lynch são para ser vistos no escuro, no silêncio, com a mente aberta e o coração pulsátil. se o virem num mini-ecrã de um avião, com uma criança ao vosso lado a berrar que quer mais coca-cola, vão perder mais de metade da beleza destes filmes.

Blue Velvet é uma das melhores obras de david lynch (concordo com quem acha que está num panteão de três cadeiras com Eraserhead e Mulholland Drive), com uma história até bastante linear (para padrão lynchiano), com a habitual beleza nos detalhes de realização, na fotografia, na banda sonora (sempre de angelo badalamenti), na migração entre várias épocas históricas, no tratamento misterioso do crime, da sexualidade e da psique humana. há várias boas actuações, mas destaco a de dennis hopper, que, dizem as más (e uma ou outra das boas) línguas, terá quase implorado a david lynch para ter o papel de frank pela empatia que tinha com a personagem. reza a história que foi a terceira escolha, já que passava por um prolongado processo de vício em álcool, drogas e problemas vários com a justiça, tendo aqui protagonizado um dos mais espectaculares re-lançamentos de carreira da história do cinema.

publicado por menospipocas às 19:50
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1 comentário:
De Manonweb a 11 de Novembro de 2013 às 15:30
Adoro este filme e a sua banda sonora desde o momento em que o vi pela primeira vez!


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